Bagels de Montréal: teste cego entre St-Viateur e Fairmount
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A disputa mais antiga do Mile End
Se perguntas a um montrealer qual é o melhor bagel da cidade, a resposta vai ser imediata e entregue com a convicção de alguém a defender uma posição política. St-Viateur ou Fairmount — não há outras opções válidas na conversa, e qualquer sugestão de que os dois são razoavelmente parecidos será recebida com algo entre desdém e indignação genuína.
O bagel de Montréal é diferente do bagel de Nova Iorque em aspetos que ambas as cidades reconhecem mas avaliam de forma diferente. O bagel de Montréal é mais pequeno, mais doce (usa mel na massa), cozido em forno de lenha, e tem um buraco no centro proporcionalmente maior. É mais denso e crocante do que o equivalente nova-iorquino, e a maioria dos montrealais trata a diferença como inquestionável em favor do seu próprio produto.
A metodologia do teste
Organizei um teste cego com oito participantes: quatro montrealer de nascença, dois visitantes de Toronto, eu, e uma amiga espanhola que visitava pela primeira vez e não tinha lealdades estabelecidas. Comprámos bagels frescos (dentro de uma hora após a saída do forno) de St-Viateur e Fairmount — simples, sem recheio, apenas o bagel — e servimo-los em pratos identificados apenas como A e B.
Pedimos a cada participante que avaliasse textura, doçura, sabor e preferência geral. Depois revelamos a fonte.
Os resultados
Seis em oito pessoas preferiram o bagel A. O bagel A era o Fairmount.
Os montrealais ficaram visivelmente perturbados. Dois deles insistiram em repetir o teste. A amiga espanhola disse que ambos eram claramente superiores a qualquer bagel que tinha comido alguma vez na Europa, o que foi ao mesmo tempo verdadeiro e irrelevante para a questão.
O que distingue cada um
St-Viateur (Rua St-Viateur, Mile End): A bagel mais famosa. Aberta desde 1957, funciona vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. O forno de lenha está visível através do balcão de vidro e o cheiro de bagels a cozer atravessa a rua. A textura é ligeiramente mais macia por dentro, com uma crosta mais pronunciada. A doçura é mais subtil. Os montrealais puros e duros juraram por esta durante décadas.
Fairmount Bagel (Rua Fairmount, Mile End): Aberta desde 1919 — mais antiga do que St-Viateur e igualmente operacional em contínuo. O bagel é ligeiramente mais doce, com uma textura interior um pouco mais densa e um aroma de mel mais presente. Os visitantes tendem a preferir este; os locais históricos tendem a preferir St-Viateur. A linha na porta ao domingo de manhã é igualmente longa em ambos.
O que o teste não resolve
Um teste cego com oito pessoas não resolve nada de forma definitiva — a amostra é pequena, as preferências são subjetivas, e os bagels variam ligeiramente de fornada para fornada e de dia para dia. O que o teste confirma é que a diferença entre os dois existe mas é menos dramática do que a intensidade do debate sugere.
Ambos são extraordinários. Ambos são uma das razões pelas quais Montréal é uma das cidades mais interessantes do mundo para comer. A discussão sobre qual é o melhor é menos sobre os bagels e mais sobre a forma como Montréal ama as suas próprias coisas com uma intensidade que é difícil de encontrar em cidades maiores e mais anónimas.
Como integrar numa visita ao Mile End
O Mile End é caminhável e compacto — St-Viateur e Fairmount ficam a cinco minutos a pé uma da outra. O protocolo correto é comprar bagels em ambas, comer imediatamente (de preferência em pé na rua, que é o que toda a gente faz), e tomar a tua decisão informada.
Para quem quer explorar o Mile End com contexto — a história bairro, os outros produtores de referência, as padarias, os mercados — há uma visita gastronómica que cobre exactamente isto:
Visita gastronómica ao Mile End com 6 provas
GYG ↗Uma nota sobre o bagel de Montréal versus o de Nova Iorque
A comparação é inevitável e tediosamente comum, mas merece uma linha: o bagel de Montréal e o de Nova Iorque são produtos genuinamente diferentes com origens comuns (ambos descendem da tradição judaica asquenaze da Europa de Leste) mas adaptações distintas. Comparar qual é o “melhor” é tão útil quanto comparar croissant com brioche — são coisas diferentes e a questão não faz sentido.
O bagel de Montréal é o bagel de Montréal. Experimenta-o como ele é.