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Circuito da Gaspésie em 7 dias: o itinerário completo

Circuito da Gaspésie em 7 dias: o itinerário completo

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A peninsula que justifica o desvio

A Gaspésie é uma das regiões mais espetaculares do Canadá e uma das menos visitadas por turistas internacionais — uma combinação que, no verão de 2023, me levou a fazer o circuito completo da peninsula em sete dias. Estou a escrever o que encontrei, incluindo as distâncias reais, os alojamentos que funcionaram e o momento em que a Rocha Percé me deixou sem palavras.

A peninsula fica no extremo sudeste do Québec, onde o Saint-Laurent se abre para o oceano Atlântico. A distância de Montréal a Percé, a cidade na ponta da peninsula, é de cerca de 900 quilómetros. De Québec City são aproximadamente 750 quilómetros. Não é uma viagem de fim de semana — precisa de, no mínimo, cinco dias para fazer jus ao que existe.

Dia 1: Québec City a Rimouski (330 km)

Parti de Québec City ao início da manhã pela Autoroute 20 em direção a Rivière-du-Loup, onde a estrada passa para a margem sul do Saint-Laurent. A partir daí, a Route 132 acompanha o rio até Rimouski.

O Saint-Laurent a partir da margem sul é uma revelação: já não é um rio mas um estuário, com uma largura de quarenta a cinquenta quilómetros e uma qualidade de luz de costa marítima. O Parc national du Bic, a vinte quilómetros a oeste de Rimouski, tem uma das paisagens costeiras mais bonitas do Québec — capas de rocha bravia, enseadas, colónias de focas que dormem nas pedras à baixa-mar. Fiz uma caminhada de duas horas no parque antes de continuar.

Rimouski é uma cidade de tamanho médio com boas opções de alojamento. O Musée régional de Rimouski tem uma coleção permanente de arte e história que é melhor do que o tamanho da cidade sugere. Jantei num restaurante de frutos do mar no centro e fui dormir cedo.

Dia 2: Rimouski a Matane e início da Gaspésie (200 km)

A partir de Rimouski, a Route 132 continua para leste ao longo da costa. Esta parte da estrada tem uma qualidade diferente: menos turística, mais rural, com aldeias de pescadores e campos que descem até ao estuário.

Matane é conhecida pelas camarões-da-neve (crevettes de Matane) — os mais saborosos do Québec, dizem os locais com a convicção de quem acredita nisso genuinamente. Parei para almoçar numa peixaria que os vende cozidos ao minuto, embrulhados em papel. São tão bons quanto prometem.

A partir de Sainte-Anne-des-Monts, a paisagem transforma-se: os Montes Chics-Chocs ficam visíveis no interior, montanhas arredondadas de 1100 a 1200 metros cobertas de floresta boreal. A Parc national de la Gaspésie fica a quarenta quilómetros para o interior a partir de Sainte-Anne-des-Monts — guarda-o para o dia seguinte. Pernoitei em Sainte-Anne-des-Monts.

Dia 3: Parc national de la Gaspésie — os Chics-Chocs

Este foi o melhor dia do circuito. O Parc national de la Gaspésie (a não confundir com o Parc national de Forillon, no extremo da peninsula) é uma das áreas selvagens mais impressionantes do Québec: platôs de tundra ártica a elevação relativamente baixa, onde caminhou antes de mim o alce e o caribu das florestas — o único caribu de montanha ao sul do Ártico no nordeste do continente.

Fiz a caminhada do Mont-Albert pela manhã: seis horas ida e volta, com uma subida de quatrocentos metros até ao planalto. O planalto do Mont-Albert parece outro planeta — musgo ártico, rocha nua, pequenos lagos de fusão de neve, e nenhum ser humano à vista além de uma família canadiana com mochilões de expedição que me cumprimentou em inglês.

O Centro de Interpretação do Parque tem informação excelente sobre o ecosistema dos Chics-Chocs e vale a paragem antes da caminhada. Pernoitei nos alojamentos do parque.

Dia 4: Parc national de Forillon e Gaspé (180 km)

De regresso à Route 132 em direção a leste, o caminho vai de Sainte-Anne-des-Monts até à cidade de Gaspé — o extremo da peninsula. O Parc national de Forillon ocupa a ponta nordeste da peninsula e tem uma qualidade dramática que distingue dos outros parques do Québec: falésias de calcário brancas a cair diretamente no mar, aninhamentos de alcatrazes-patola, focas nas pedras, baleias visíveis do miradouro do Cap-Bon-Ami.

A caminhada do Cap-Gaspé — o ponto mais a nordeste da peninsula — leva cerca de quatro horas ida e volta pela costa e termina num farol com vistas sobre o Atlântico que deixam claro que estás na extremidade de algo.

Gaspé tem dimensão suficiente para ter hotéis decentes, restaurantes razoáveis, e uma Catedral de Sainte-Famille que é o único monumento das Américas integrado numa fachada de madeira. Pernoitei em Gaspé.

Dia 5: Percé e a Ilha Bonaventure

A Rocha Percé é uma das mais famosas formações geológicas do Canadá — um monólito de calcário com um arco natural que se destaca do mar a duzentos metros da costa. Vi-a ao nascer do sol (levantei-me às 5h30 para isso e não me arrependi) e a cor da rocha, do branco puro ao mel e ao cinzento, muda com a luz de uma forma que torna difícil olhar para outra coisa.

A Ilha Bonaventure, acessível de barco a partir do cais de Percé (quinze minutos de travessia), tem a maior colónia acessível de alcatrazes-patola do mundo — cerca de cinquenta mil casais que nidificam nos penhascos brancos da ilha entre junho e setembro. O cheiro, o som, a escala de cinquenta mil aves numa colónia densa são algo sem paralelo na minha experiência de observação de aves.

Pernoitei em Percé, que tem bons alojamentos e restaurantes de frutos do mar.

Dia 6: Regresso pela margem sul (Baie-des-Chaleurs)

A Route 132 continua à volta da ponta da peninsula pela margem sul, acompanhando a Baie-des-Chaleurs — a “Baía das Calores”, assim chamada pelos primeiros navegadores europeus porque as águas rasas e abrigadas eram notavelmente quentes para a latitude.

Esta parte do circuito é diferente: a paisagem é mais plana, o clima mais quente (a baía protege do vento do norte), e as aldeias têm um carácter menos espetacular e mais tranquilo. Passas por Caplan, Bonaventure (homónima da ilha mas diferente), Carleton-sur-Mer — uma cidade-balneário com uma bela praia de areia e um monte cónico por cima que tem vistas sobre toda a baía.

Pernoitei em Amqui, já no interior, na rota de regresso.

Dia 7: Regresso a Québec City pela Vallée de la Matapédia

A Vallée de la Matapédia é o caminho interior de regresso — um vale fluvial coberto de floresta mista, com cidades de madeireira e pesqueiros de salmão. A Route 132 sobe o vale até Sainte-Flavie e regressa à margem norte do Saint-Laurent.

O regresso a Québec City dura cerca de três horas a partir de Rivière-du-Loup. Cheguei com sete dias de imagens que precisariam de meses para processar completamente.

O que aprender com este circuito

A Gaspésie precisa de tempo. Sete dias são o mínimo para não sentir que estás a correr. Dez dias permitiria ir mais devagar e parar nos lugares que merecem mais atenção.

O alojamento tem de ser reservado com antecedência. No verão (julho-agosto), os melhores alojamentos na Gaspésie esgotam meses antes. Percé em particular tem oferta limitada e preços altos em época alta.

As distâncias enganam no mapa. A Route 132 é estrada secundária de curva em curva — a velocidade média real é de 70 a 80 km/h, não os 100 km/h das autoestradas. Planeia mais tempo do que o Google Maps sugere.

O melhor momento é agosto e início de setembro. Julho tem mais turistas e preços mais altos. Setembro tem folhagem inicial, menos gente e um ambiente de fim de verão que é especialmente bonito nesta região.

O itinerário de sete dias pela Gaspésie tem a versão estruturada dia a dia para quem quer um plano mais concreto.

Distância~950 km só de ida Montreal–Percé; o retorno pelo circuito é semelhante
Melhor épocaJunho a setembro; agosto para água mais quente em Carleton
Tempo mínimo7 dias para o circuito completo sem pressa
Reserve com antecedênciaHospedagem em trechos remotos, especialmente em agosto
Como chegarDe carro, ou de avião até Gaspé com aluguel de carro local

Aspectos práticos que destacaríamos para quem está planejando isso agora

Alugar um carro. Se você for de avião até Gaspé em vez de dirigir desde Montreal, reserve o carro com bastante antecedência — o pequeno aeroporto tem estoque limitado, e o circuito passa por trechos rurais onde uma pane significa uma espera genuinamente longa por ajuda. O guia de como alugar carro em Quebec traz os detalhes práticos, incluindo exigências de pneus de inverno que não se aplicam em agosto, mas importam se você estender a temporada.

Equipamento de caminhada para as Chic-Chocs. Os trechos acima da linha da vegetação nas montanhas Chic-Chocs têm clima de montanha genuíno mesmo em agosto — tivemos chuva horizontal na costa norte na mesma semana em que tivemos céu limpo na crista do Mont Jacques-Cartier. O guia das montanhas Chic-Chocs e o mais amplo guia das melhores trilhas de Quebec trazem ambos condições de trilha e o que levar com mais detalhes do que temos espaço aqui.

Forillon especificamente. Se Forillon for o único parque que você prioriza em uma versão mais curta desta viagem, o guia de caminhadas no Parque Nacional Forillon traz detalhes trilha por trilha além da rota Les Graves que descrevemos acima.

Perguntas frequentes

O circuito da Gaspésie pode ser feito em menos de 7 dias? Pode, mas algo precisa ceder. Cinco dias são viáveis se você chegar de avião a Gaspé e pular o desvio completo pelas Chic-Chocs ou uma noite em Percé, mas você vai se mover mais rápido do que recomendamos para um lugar que recompensa tanto uma viagem sem pressa.

O circuito da Gaspésie é possível sem carro? Não muito. O transporte público pela Route 132 é mínimo, e as melhores paradas — as trilhas de Forillon, as trilhas de cume das Chic-Chocs, as vilas costeiras menores — não são realisticamente acessíveis sem veículo próprio.